A serenidade de Iemanjá em tempos de crise

Originalmente divindade yorubá dos rios, na mitologia afro-brasileira Mãe Iemanjá (Ìyá Yemọja) é Deusa do Mar e Grande Mãe dos Orixás. Talvez a deusa yorubá mais popular do Brasil, Iemanjá é celebrada em prosa e verso. Como podemos absorver a força de Iemanjá em tempos de crise?

Primeiro, a partir da perspectiva do “Herói de rosto africano” (Clyde Ford), vamos entender as divindades não como fatos históricos, e sim como metáforas simbólicas. Vamos entender as divindades como personificações das forças da natureza e das forças que existem dentro de nós mesmos.

Mãe Iemanjá representa o equilíbrio emocional, espiritual e psicológico dos seres humanos. A partir dessa simbologia, podemos evocar de dentro de nós essa força que nos equilibra e nos mantém sãos até nos piores momentos. Afinal, Iemanjá está presente em todas as cabeças.

As antigas lendas contam sobre o amor imenso de Iemanjá por seus filhos e como se articulou para cuidá-los e tê-los por perto. Mais do que isso, as histórias contam como Iemanjá se tornou mãe de todas as cabeças.

Dentre as muitas histórias, há aquela que conta como Mãe Iemanjá foi habilidosa e perspicaz em curar a crise de loucura que acometia Oxalá, Pai dos Deuses, e dessa forma ganhou o título de Grande Mãe (Nlá Yágbá) e a potência de estar presente na cabeça de todo mundo.

Mãe Iemanjá é água e água acalma. Um simples banho é capaz de nos acalmar, nos renovar. Água é vida. Água limpa. Lavamos as mãos, lavamos nossos corpos, lavamos nossas almas. A força das águas leva embora tudo o que é ruim. Devemos nos lavar, devemos nos lembrar de Iemanjá.

Mãe Iemanjá está presente nos rituais e procedimentos que envolvem o fortalecimento da cabeça (Orí). Mãe Iemanjá, a mulher preta gorda de seios fartos. Principalmente nesses tempos de crise, devemos devemos evocar de dentro de nós a força e serenidade de Iemanjá, a Mãe de Todos.

PS: Compartilho aqui somente um pensamento, uma ideia, com o intuito de contribuir para amenizar o tédio e estagnação causada pela atual situação de isolamento. Não sou autoridade religiosa dos Orixás, falo humildemente na qualidade de iniciado no candomblé e iniciante no Culto Tradicional Yorùbá.

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