[Afrofuturismo: Palavra Chave] 12. Futebol*

O estádio Marakana estava lotado. Tratava-se de uma arena flutuante, que balançava no ar, a poucos metros do chão, conforme o público se empolgava; a estrutura do estádio era feita de ferro e barro ancestral psiquicamente enrijecido; no alto, um campo invisível de força telecinética servia como teto e impedia que os poderes em campo ferissem as pessoas lá fora, e a mesma parede invisível de força protegia a plateia. O estádio se encontrava bem no meio da Praça das Guerreiras, no Setor 8 de Ketu Três. Tinha capacidade para mais de cem mil pessoas. A arena estava lotada, abarrotada de peles melaninadas que gritavam eufóricas, pois Nandinha Oníṣẹ tinha acabado de marcar mais um gol!

As jogadoras corriam em altíssima velocidade pelo campo de terra e grama, tão rápidas que muitos torcedores eram obrigados a ativar o recurso holográfico da câmera desacelerada; algumas atletas davam uns supersaltos de muitos metros para executar suas jogadas e realizavam verdadeiras acrobacias em pleno ar, enquanto outras se teleportavam loucamente pelo campo. Era permitido voar, mas a maioria preferia se enfrentar no chão mesmo; era permitidos vários poderes, na verdade – afinal, era uma partida de futebol sobrenatural, só com atletas ẹmí ẹjẹ – e era permitido até mesmo as pirocinéticas que chutavam bolas flamejantes; porém, todas as jogadoras em campo eram mestres do psicometabolismo, e exibiam façanhas sobre-humanas com super-saltos, super-força e super-agilidade.

Nandinha Oníṣẹ comemorava seu gol dando saltos enormes para o alto. Seu time, Pupa Dudu, estava novamente à frente do placar, 4×3. Até aquele momento, o jogo tem sido uma sequência avassaladora de viradas atrás de viradas; a equipe adversária, Awọ Mẹta, mais uma vez, não se intimidou, e preparava o contra ataque; a torcida, repleta de moças e moços de todas as idades, cantava os hinos e incentivava a equipe para o ataque, pois ainda estava todo mundo mordido pela derrota na final da Copa Ọdẹ justamente para o time da casa, o Pupa Dudu.

Nandinha pousou no chão e se preparou para a saída de bola. Faltava pouco para decidir o jogo, e o Awọ Mẹta ainda não se dava por vencido. Valia vaga na final da Copa Caçadores de Ketu! Agachada em posição, Nandinha Oníṣẹ ajeitou o coque das suas longas tranças, e olhou bem nos olhos negros da sua principal adversária, Gabriela de Òòṣàálá, a pele mais escura dentre todas as atletas em campo e a grande estrela do Awọ Mẹta. Faltava pouco tempo para o jogo terminar, mas bastava alguma jogada genial dessas duas grandes atletas para mudar completamente o rumo da partida e decidir o combate. A torcida, vestindo o preto e vermelho do Pupa Dudu, ou as três cores azul, branco e verde do Awọ Mẹta, aguardava reinício da partida, na expectativa. A juíza apitou, e a verdadeira batalha estava apenas começando…

 

Fábio Kabral, 11/10/18

*Título solicitado por Betinho

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