[Afrofuturismo: Palavra Chave] 7. Força Ancestral*

Mariana Olamakinde amarrou as tranças num coque e se ajoelhou para botar a cabeça no chão; no momento em que a sua testa tocou o solo, a terra inteira parecia tremer tanto quanto tremiam seus olhos e sua alma. Seus ouvidos se encheram de vozes de poder, sua pele melaninada se arrepiou e seus músculos se flexionaram enquanto ia se sentindo intumescida da força invisível dos que vieram antes dela. Fez um esforço enorme para não sorrir, mas não tinha nada a esconder; Mariana era mais forte do que a criatura monstruosa de quase dez metros de altura à sua frente, e a segurança das pessoas ao seu redor, naquele momento, dependia dela e ninguém mais.

Era o Setor 8 da Rua Treze de Ketu Três, uma avenida agitada naquele início de tarde. Ninguém sabe o que aconteceu e de onde havia saído, mas um ser enorme, pavoroso, havia aparecido de dentro de um dos prédios. Era uma das áreas industriais da cidade, repleto de empresas de construção e processamento, com prédios e pirâmides achatados e espaçados, tijolos coloridos e muitos funcionários que corriam desesperados por suas vidas. Mariana Olamakinde estava passeando por ali para encontrar um rapaz que tinha acabado de conhecer, mas entendeu que o passeio ficaria para outro dia – seria difícil um encontro quando aparece uma besta pavorosa gigante bem onde no ponto em que havia sido marcado de se verem.

Era um ser inchado e peludo, que urrava obscenidades enquanto tentava devorar transeuntes apavorados; as forças especiais não chegariam a tempo antes que alguém fosse ferido. Mariana então engoliu seco, tirou a bolsa e a jaqueta colorida, e prostrou a cabeça na terra para reverenciar sua mãe ancestral, Ìyá Ọbà, a maior guerreira que já existiu no mundo; ao fazer isso, Mariana Olamakinde invocou para si a força da maior guerreira que já existiu no mundo, e seus músculos se convulsionaram perante tamanho poder.

Até a aquela criatura enorme e aparentemente irracional parecia ter sentido a enorme encrenca na qual havia se metido, e, talvez tivesse recuado um pouco perante a moça minúscula diante de si, a única que não tinha fugido para bem longe de medo; mas o monstro acabou abrindo os braços e urrou em desafio, chamando-a para a briga. Mariana, ainda meio grogue pela onda de energia que havia se apossado de seu corpo, havia entendido o recado; num instante, ela se agachou…

…e no instante seguinte estava lá no alto, cara a cara com a criatura, e lhe desferiu um soco tão potente que o monstro foi jogado para trás e por muito pouco não destruiu as outras fábricas ao seu redor. Alguém ia responder muito caro tanto pela aparição desse bicho quanto os prejuízos causados por essa destruição, mas esse não era um problema a ser resolvido por Mariana; apesar de ferido, o enorme ser ainda estava de pé, e, até que as autoridades e forças especiais chegassem para limpar a bagunça, uma grande batalha estava para começar…

 

Fábio Kabral, 04/10/18

*Título solicitado por Vicente Guidoreni

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