[Afrofuturismo: Palavra-Chave] 4. Mega Tectônico

Eu queria rachar o mundo inteiro ao meio, antes que eu mesmo fosse feito em pedaços.

Eu nasci de vários pedaços, aliás. Sou o remendo de vários seres desafortunados, de criminosos procurados que cometeram crimes bárbaros. Sou o resultado de homens adoentados que viraram as costas para o espírito e abraçaram a matéria em desequilíbrio. Estou todo contaminado com o pior dos seres humanos, todo intumescido com as energias malignas e espíritos perversos que guiaram essas pessoas para a prática de atos medonhos. Será que todos nós nos responsabilizamos pelo que fazemos e queremos?

Eu quero quebrar tudo. Eu quero destruir todas essas tolices e idiotices que nos permeiam. Estou lotado de pensamentos que não sei se são realmente meus ou se são dos desgraçados que me compõem. Eu sou um resto feito de muitos. Gostaria de pensar por mim mesmo, porém não sou nem uma pessoa completa. Nós somos seres espirituais vivendo uma existência material, assim ensinam os ancestrais… porém, o que é uma aberração como eu criada em um tubo de ensaio?

Estou mergulhado e borbulhando neste líquido verde que serve como substituto pavoroso do útero no qual eu deveria estar sendo gerado. Como podem fazer isso? Como é que os ancestrais permitem um horror desses? Sou um ser anti-natural, sem mãe nem pai, criado dos restos dos piores seres humanos, para ser uma arma biológica. Não sinto a minha alma, mas estou cheio de espíritos perversos. A minha pele é um amálgama de diversas melaninas distintas. A energia eletromagnética dos nossos antepassados corre nas minhas veias, mas o meu sangue é turvo, misturado, um caldeirão de várias existências conflituosas e infelizes. Tenho dentro de mim vários dons espirituais, vários poderes psíquicos de grande destruição.

A verdade… é que sou uma arma contra nossos inimigos. Eu sou a medida extrema contra os seres perversos que nos trouxeram a desgraça, a escravidão e a miséria. Eu sou a resposta contra alienígenas hediondos e pálidos que nos raptaram e nos levaram para um mundo estranho e distante. Eu sou uma aberração criada para destruir outras aberrações, e libertar a nossa gente melaninada. Eu sou um instrumento de vingança contra o lixo que nos dominou, usando as piores táticas deles contra eles mesmos. Que os ancestrais nos perdoem…

Quero quebrar tudo, preciso destruir tudo.

Eu sou uma abominação capaz de partir sonhos e esperanças em pedaços. Eu sou a junção de tudo o que não precisava existir, mas que existe por algum motivo. Eu sou esse motivo. Não sou bom nem mau, apenas existo. E eu vou cumprir a minha programação de destruir tudo. Sim. Porque, o que eu mais odeio neste mundo, sou eu mesmo…

 

Fábio Kabral, 01/10/18

*Título sugerido por Lucas Cerqueira

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