[Afrofuturismo: Palavra Chave] 2. Relacionamento Afrocentrado*

Evandro Adeboye dava saltos cada vez mais altos para o céu, torcendo para não se espatifar no chão – afinal, cair de uma altura de dez andares não parecia nada legal. O jovem tentava se concentrar para colocar suas habilidades psíquicas em ação; conseguia saltar bem alto usando sua telecinese, mas falhava na hora de se estabilizar e alçar voo. Seu black power estava bastante maltratado pela ação do vento, mas ele não considerava de forma alguma usar um capacete; afinal de contas, estava indo encontrar a sua amada, então tinha de chegar na estica.

O rapaz pousou numa rua estreita entre prédios; procurou um banco de madeira para se sentar, à sombra de uma árvore, para fazer uma pausa. Era um dia das rainhas, então as ruas estavam cheias, principalmente de casais; Adeboye viu duas moças de mãos dadas, ambas com tranças coloridas, do outro lado da rua, enquanto que na sua frente passou um casal de garotos muito bonitos, um com um topete crespo curto, outro com uns dreads bem longos. Os casais eram diversos, gordos e magros, altos e baixos, bermudas e sapatos, ternos e chinelos, saias, blusas, turbantes e muitas cores deslumbrantes, tanto nas roupas quanto nas peles escuras de toda aquela gente melanindada de Ketu Três.

Adeboye pensou em Gisele Abayomi, sua futura esposa, executiva de um grande instituto de pesquisas. Ele tinha muito orgulho da trajetória dela, como profissional e filha de uma Casa Empresarial de muito renome, enquanto ele mesmo ainda engatinhava no ramo das artes. Ela se encantou por ele no dia em que, sentada numa mesa de bar, presenciou um jovem de black dedilhando uma guitarra tecno-espiritual enquanto entoava uma poema sofrido sobre um grande amor perdido devido a carências, intolerâncias e sofrências… Quando seus olhares se encontraram, eles até tentaram negar, mas suas almas ancestrais sabiam a verdade: o caçador azul e a rainha dourada haviam se apaixonado novamente, da mesma forma que se apaixonaram perdidamente na era dos deuses…

Evandro Adeboye de Ọdẹ se levantou. Todas as experiências de corações partidos serviram apenas para chegar a este momento. Ele não permitia que os espíritos perversos da mágoa o incomodassem; os relacionamentos passados no passado ficaram, as cicatrizes apenas serviram para fortalecer seu coração e sua alma. Ele não era uma migalha, era um homem melaninado, descendente do Continente. Gisele Abayomi de Ọṣun era a pessoa viva que ele mais amava no mundo… Sua companheira de vida, sua parceira, sua melhor amiga, sua pessoa favorita neste mundo visível sob o sol. A relação mais saudável que já teve, porque ambos estavam dispostos um para o outro; porque conversavam sempre, sempre buscavam se entender, se compreender, sempre buscam o equilíbrio entre suas vontades e desejos; sempre respeitaram suas individualidades, ao mesmo tempo em que viviam um para o outro. Que nem os seus pais ancestrais no início dos tempos…

O jovem deu um grande salto e voou, energizado pelos seus pensamentos e sentimentos. Voou para os braços do seu amor…

 

Fábio Kabral, 26/09/18

*Título solicitado por Wellington

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