Renascer Ancestral

Como foi nascer novamente pela graça dos antepassados

Recolher-se.

Braços abertos daqueles que acolheram. A segurança para confiar. A compreensão, o cuidado. Uma família. Sorrisos, brincadeiras, naturalidades. Amor real. Uma família do mundo real, que também briga, também erra, mas que também ama, que acolhe. Que compreende. Segurança e certeza para se recolher. Felicidade. Sorrisos.

Solidão. No mergulho para dentro de si mesmo. A lágrima que ninguém viu, nas profundezas do mundo. Intermináveis diálogos consigo próprio. Recolhimento.

Segredos.

Procedimentos. Alimentos. Pulsações. Banhos. Costumes e tradições. Ensinamentos, histórias. Compreensões. Reencontros. Abraço da família. Imersão.

Transe.

Reconexão. Religamento com a divindade ancestral. A divindade ancestral da qual você descende. Concretização de diferentes aspectos da realidade. Fragmento da divindade ancestral imerso no centro da consciência. Autoridade. Poder. Divindade ancestral com autoridade para exercer seu poder no mundo visível. Reencontro com a ancestralidade de família.

O abraço da minha família. O abraço da minha ancestralidade.

A cabeça controla tudo. A cabeça é o centro. O ancestral imerso na cabeça. O ancestral é o melhor aspecto de si mesmo. A cabeça controla tudo.

O sangue. Sangue é a expressão física da energia eletromagnética que alimenta a vida. Sacrifício ancestral. Força, poder. Respeito, compreensão. Comunhão. Alimento.

Tranquilidade. Paz.

Explosão.

Luzes estourando para a explosão de uma nova vida. Movimento. Suor se infiltrando nos poros da alma. Ecos de um grito ainda não nascido. Mais movimentação, mais exaltação. O pulsar de sensações incríveis, as ancestralidades que se misturam e se complementam. Tambores, batidas, o chamado dos antepassados. Cantigas, canções, vozes. A explosão sonora se avolumando, se esparramando por todos os cantos do barracão. Todos os cantos se inundando de água fervente. Fervuras de exaltação, estouros de moléculas enlouquecidas pelo poder. Enlouquecidos pela comunhão concretizada. Foi dada a autoridade para a divindade ancestral, o melhor aspecto de si mesmo, para realizar o seu destino na terra. Alegria sem limites, compreensão tão almejada, religação, reencontro. Tambores, vozes, canções. Gritos, sorrisos, gargalhadas. Autoridade concedida para realizar o seu verdadeiro potencial no mundo. A cabeça, o centro de tudo, antes fragmentada, perdida, agora fortalecida, reunida. Reunião dos seus vários eus emocionais, agora juntos, convergindo para um único caminho. Uma única flecha, certeira no destino. A movimentação das vozes, gritos e tambores havia atingido o ápice. O templo do seu corpo ancestral estava em festa, todo inundado do melhor aspecto de si mesmo. Lágrimas escorriam pelo brilho da alma. O pranto que todos viram, as lágrimas que todos sentiram, nas profundezas de cada um. Exaltações em uníssono. O renascer resplandecente de si próprio.

Recolher-se.

Motumbá, Ya mi!!

Okê arô, Odé Òsóòsí.

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