[Palavra Chave] Amor ao outro

Solicitado por Ivan Gomes Barbosa

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“Podemos ir ali?”

De mãos dadas. As palavras sorriam na conversa. De mãos dadas perambulavam enquanto compartilhavam o que tinham a oferecer: si mesmos. Muitas palavras enquanto respiravam. Sentimentos se entrelaçavam no ritmo dos dedos. De mãos dadas. Perambulavam pelos espaços que se esparramavam pelo imaginário da cidade.

Pararam para um beijo.

Quando beijaram primeiro? No meio daquela alegria de pessoas dançantes. A roda cantarolava e os corpos se remexiam. A amiga cutucava com palavras afiadas – era pra acontecer, devia acontecer. Bem ali. Por quê? Porque você deixou escapar ansiedade em encontrá-la.

Previu o que aconteceria ou percebeu o que já estava acontecendo?

Ainda antes. Na grande reunião dos irmãos e irmãs. Avistou pela primeira vez, e pela primeira vista foi tomado por grande emoção. Era uma das pessoas mais bonitas que podia existir.

O que é essa afeição que você pode sentir por um outro alguém? Um outro alguém é um alguém que não é você. Você pode mesmo desejar conexão com um outro que é diferente de você? O outro não é você, ao mesmo tempo em que é. Mesmo que se toquem, seus corações podem estar tão distantes quanto as estrelas estão uma das outras.

Se você fosse a chuva, que consegue unir os eternamente distantes céu e terra, você conseguiria se unir ao coração de um outro alguém?

Você demonstrou ansiedade para vê-la, e a amiga percebeu – portanto, teria de fazer acontecer. Mesmo que ninguém mais entendesse que, na verdade, o que você queria…

O que era isso que você queria que nem mesmo você sabia?

Na roda dos corpos dançantes. É desajeitado, é tosco. Mas você tentou acompanhar. Porque o toque iniciava a conexão. Estava desajeitado, e estava leve. Estava todo torto, e estava todo tranquilo. Você respirava – as peles melaninadas que se tocavam iniciaram o processo de transmissão de dados. O electromagnetismo desses que possuem melanina fez todo o resto.

Com toda a doçura do universo, em meio à balbúrdia dos corpos que se remexiam, ela segurou o seu rosto e te beijou.

Você consegue entender o que é a afeição por esse outro alguém que é diferente de você? Você consegue traduzir as palavras não ditas enquanto ocorre a transmissão de dados dos toques que ocorrem independentemente das palavras?

Perambularam pelo Centro, pelos centros de microuniversos enquanto confabulavam, enquanto compartilhavam si mesmos na forma das perspectivas e percepções ideológicas que os compõem. O povo da melanina, do qual fazem parte, sempre muitas questões para expor e debater. Muitas palavras sorrindo ao vento. De mãos dadas.

O que é esse incêndio das almas no momento em que se beijam?

Perambulavam por ali, de mãos dadas. Ela, toda linda, toda amorzinho, toda maravilhosa. Você já havia se derretido pela fofura, pela beleza de caráter, por aquele lindo espírito em forma de uma linda mulher. Você já havia se derretido todo e já estava todo feliz e satisfeito. O amor das almas já havia alimentado ambos.

“Podemos ir ali?”

Você fez um esforço extraordinário para não chorar de emoção ali mesmo.

A transmissão de dados estava completa.

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