[Palavra Chave] Organization of African Unity (OAU) / African Union (AU)

Solicitado por Raphael Henrique Costa Monteiro

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Estavam todos de olho na tela do televisor psíquico. A tela ocupava grande parte da parede, e era feita de cristal líquido espiritual. Na imensa mesa redonda de ferro brilhante, estavam sentados as rainhas e reis das grandes linhagens que dominavam o Continente. Alguns vestiam terno e gravata coloridos, outros vestiam togas largas que atravessavam o corpo, outros vestiam terno e gravata e toga, outros ainda vestiam apenas suas tatuagens e escarificações e muitos, muitos colares e braceletes. Havia peles negras de todas as tonalidades, dos amarronzados mais claros às negritudes profundas e imponentes. O salão onde estavam era oval e enorme, cujas paredes de metal etéreo exalavam odores frescos e perfumados.

Todos aqueles reis e rainhas majestosos olhavam para a tela. Pareciam apreensivos. Continuaram olhando.

Por fim, a transmissão terminou. Permaneceram por silêncio por mais um tempo.

Por fim, o rei caçador Nangana tomou a palavra:

– Hum. Pelo que podemos conferir, acredito estar certo em afirmar que o que presenciamos foram as memórias de alguma espécie de terra alternativa…

– Uma terra onde fracassamos! – exclamou o rei guerreiro Gambalisita, socando a mesa.

– Nós não! – disse a rainha feiticeira Kalumba – Com quem você pensa que está falando? Nós não somos aquilo!

– Na verdade, acho fascinante – disse a rainha sacerdotisa Fetuga – Memórias de um tempo que jamais deveria ter acontecido… mas aconteceu.

– Vai começar com as viagens, mãe das águas? – disse a rainha Kalumba para a rainha Fetuga.

– Senhoras e senhores – disse o rei Nangana – creio que a questão aqui seja mais séria e delicada do que podemos imaginar…

– É mesmo? – disse o rei Gambalisita – Não diga! E o que sugere que façamos, senhor rei caçador? Alguma sugestão do senhor equilibrado do alto da montanha?

– Vocês, garotos, são tão bonitinhos quando ficam competindo pra ver quem tem o pau maior… – disse a rainha Kalumba, provocativa.

– Senhora feiticeira, por que abre a boca se não tem nada de útil para falar? – perguntou o rei Gambalisita.

– Quer que essa sua boquinha gostosa fique fechada para sempre? – perguntou em resposta a rainha Kalumba.

– Senhores… – tentou dizer o rei Nangana.

O grandalhão rei Gamabalisita ameaçou se levantar, a rainha Kalumba começou a gesticular, os outros reis e rainhas que até então estavam calados começaram a falar todos ao mesmo tempo, o rei Nangana meneou com a cabeça. Foi aí que a rainha sacerdotisa Fetuga levantou a mão. E todos olharam e se calaram por um momento. Ela então disse, com suavidade.

– Crianças. Por favor. Nosso caríssimo rei Nangana tem razão. Não conseguem perceber a gravidade da situação? Lá naquela terra, lá naquele mundo, lá naquela dimensão, lá naquelas memórias perdidas que acabamos de presenciar, nós perdemos. E nós perdemos feio. Lá, nosso Continente é considerado o mais pobre de todos. Lá, ao que parece, só se lembram de nós como pobres coitados que passam fome. Lá, só se lembram de nós como miseráveis que só sabem guerrear entre si. Lá, nossas tradições ancestrais são consideradas crendices, nossas mitologias são consideradas menores, nossos ritos sagrados são desrespeitados, perseguidos e arruinados. Lá, nossos descendentes foram escravizados por séculos e explorados como se fossem animais. Lá, nossos descendentes foram espalhados pelo mundo e pelo mundo se arrastam atrás de migalhas e esmolas. Lá, nossos descendentes ainda continuam escravizados, só que num outro sistema, com outro nome. Lá, nossa beleza é desconsiderada, somos tachados de feios, não aparecemos em lugar algum, não possuímos modelos e heróis. Lá, nós nos alegramos com as esmolas que nos dão. Lá, nós não somos nada.

Quando a rainha Fetuga terminou de falar, o silêncio dominou o salão. Todos pareciam apreensivos. Até que o rei Nangana tomou a palavra:

– Pois bem, senhoras e senhores. A mais sábia e mais velha dentre nós falou, e, pelo visto, os senhores todos agora compreenderam a gravidade da situação. Para ser sincero, após as palavras da senhora Fetuga, eu fiquei até mais aflito, e não tenho vergonha de admitir. Pois bem. Sugiro então a seguinte reflexão: por que nós… demos certo, por assim dizer?

O rei Gambalisita ia dar outro soco na mesa, mas apenas falou:

– Ora! Não é óbvio?! O que nós fizemos quando vieram aqueles alienígenas pálidos naqueles barcos?

A rainha Kalumba soltou um risinho, e por fim disse:

– É a primeira vez que estou concordando com esses brutamontes… mas é bem óbvio sim. Ora. Nós matamos todos os alienígenas pálidos. Todos. É isso o que os nossos dessa terra alternativa deveriam ter feito.

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