[Palavra Chave] Experiência de Quase-Morte

Solicitado por Marina Fragoso

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Foi então que percebi que eu era minúsculo. E senti muito medo.

Quando dei por mim, estava no corredor do universo. Dava pra andar. Dava pra correr. As estrelas brilhavam abaixo dos meus pés, uma cachoeira se precipitava bem na minha frente. A ilha de terra no meio do espaço não parecia se conectar com lugar nenhum – porém, era só chegar perto do lago pra perceber que levava para outra era na infinidade de dimensões. Havia portas suspensas na escuridão estrelada que pareciam dar para outros caminhos na miríade dos planos. Para onde eu deveria ir?

Foi aí que olhei para trás e vi meu corpo estirado no chão. E senti muito medo.

Na verdade, medo não senti, verdade seja dito. Sinto medo agora de relatar essa experiência. Pois bem.

Meu corpo estava estirado no chão, lá embaixo, naquela terra minúscula. Só que eu estava aqui, na imensidão da galáxia. A cachoeira se precipitava bem na minha frente e suas águas despencavam lá para além das estrelas. Eu não vestia roupas, vestia escarificações e tatuagens. Eu tinha um arco de madeira negra e flechas invisíveis nas costas. Eu podia correr e saltar, dar piruetas, sobrar o espaço e me deslocar para qualquer ponto do universo.

E eu era minúsculo perante a grande dos espíritos mais antigos de toda a existência.

A existência em si era muito mais imensa do que eu jamais poderia imaginar. Muito mais antiga do que jamais poderia conceber. Muito mais sábia do que eu sequer conseguia sonhar em compreender. A existência em si estava muito além desta minha minúscula alma daquele ser arrogante estirado lá embaixo na minúscula terra.

Eu podia me deslocar para qualquer ponto a qualquer momento. Talvez até para outras dimensões. E mesmo assim eu era pequeno perante a música ancestral que eram as vozes sem som dos espíritos das estrelas.

Foi então que eu vi, nalgum ponto muito, muito distante, uma velha senhora. Sua pele era muito, muito preta, e seus cabelos, muito, muito brancos – e muito, muito crespos. Ela estava nua. Ela estava sentado nua diante de uma fogueira no meio do universo. Eu a vi de lá de muito, muito longe. Fechei meus olhos e o espaço se dobrou à minha vontade; em segundos, eu estava diante da senhora.

Ela me olhou. Eu olhei para ela. Os olhos dela eram mais antigos que as profundezas do próprio tempo. Tremi um pouco. Na verdade, tremi muito. Minha arrogância se acovardou, minha prepotência se apequenou. Quando percebi, eu estava chorando. Quando percebi, eu estava do joelhos e com a cabeça aos pés da velha senhora. Eu tremia. E chorava.

Foi então que ela me sussurrou:

“Você anda pelas trevas, mas na verdade deseja a luz. É hora de voltar… e compartilhar o conhecimento do mundo”.

Tremendo mais um pouco, fechei os olhos. Me encolhi em posição fetal. Chorei um pouco mais…

…e acordei lacrimejante onde estava. Na minúscula terra. Eu estava de volta. Piscava. Respirava. Eu estava vivo no mundo.

Mas um pedacinho minúsculo, bem minúsculo mesmo, da minha pequena alma arrogante, havia ficado na palma da velha senhora da fogueira no centro do universo.

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