[Palavra Chave] Esmalte

Solicitado por Camila Carmona

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Tudo que fiz foi passar esmalte na minha unha. E fui atropelado pela avalanche de olhares.

O verniz de unha certamente brilha nos olhos. É muito bonito de se ver. As cores saltitam na imaginação. Então ofereci a minha mão. Pedi: pinta pra mim?

Pintou.

Os primeiros registros de verniz nas unhas datam de 3500 a.C., no Antigo Egito, as mulheres tingiam suas unhas com o preto das Doze Horas da Noite. Mais tarde, todo o resto do mundo imitou.

Eu pintaria com o azul de Oxalá, mas escolhi o azul bem clarinho de Odé.

Ela havia acabado de ascender aos céus para se tornar a estrela mais brilhante. Só que, para os que ficam, a tristeza é tão acachapante quanto uma tempestade de granizo e raios violentos. E as cicatrizes causadas pelas queimaduras de tais relâmpagos de sangue ardem até hoje e arderão para sempre.

Tudo que fiz fui passar esmalte nas unhas para apreciar essa possibilidade de beleza. Não havia nenhum significado verdadeiramente forte para tal.

Olhares.

Pisou fora de casa com as mãos pintadas e os olhos foram instantâneos.

Aqui e ali, em todos os cantos e frestas, em cada falha nos muros, nos recônditos mais escondidos dos becos, pululavam olhares. Muitos olhares. Olhares de reprovação, em sua maioria. Olhares. Muxoxos negativos no canto da boca. Olhares.

Olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares olhares

O espaço decaía numa torrente tremenda de gravidade perante o peso dos olhares.

Você não devia se importar com o que os outros pensam, dirão com facilidade. E não deveria mesmo. Em teoria.

Só que no fundo, bem no fundo, você só queria apreciar um dia de beleza simples. Sem tantos olhares.

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