[Palavra Chave] Credo cruz

Solicitado por Marina Fragoso

Muana Puó

Mwana Pwo

O credo na cruz da testa da minha ancestral é muito mais antigo que o credo na cruz do cabeludo pálido que tentaram me impor.

A minha ancestral é a Mwana Pwo, a anciã que se foi deste mundo visível sob o sol e ascendeu para a existência de puro pensamento no mundo invisível dos espíritos. A minha ancestral é a anciã que se atirou nas águas do tempo e se tornou a Mulher Jovens dos ritos de passagem. A minha ancestral é a senhora de sabedoria ancestral e da calma sublime que existia antes do início de todas as coisas.

A cruz na testa da minha ancestral representam as quatro Essências da Alma que regem todos nós e a quinta essência que une todas as quatro.

A cruz na testa da minha ancestral evoca todos as heroínas e heróis com o rosto do Continente. A cruz na testa da minha ancestral invoca os poderosos heróis que triunfaram sobre terríveis desafios e grandes monstros. O triunfo das heroínas e heróis dentro de mim me ensinam e me dão forças para vencer a minha aventura humana neste maravilhoso mundo louco repleto de armadilhas e sortilégios.

A cruz das minhas ancestrais me ensinam sobre a criação do mundo:

Lenda Tchokwe da criação do mundo

Lenda Tchokwe da criação do mundo

“Um dia, o Sol foi visitar Deus. Deus ofereceu ao Sol uma galinha, e lhe disse: ‘Regressa de manhã antes de te ires embora’. De manhã, a galinha cacarejou e acordou o Sol. Quando o Sol revisitou Deus, Deus disse: ‘Não comeste a galinha que te dei para o jantar. Podes então ficar com a galinha mas deves regressar aqui todos os dias.’ Daí a razão porque o Sol circula a terra e nasce todas as manhãs.

A Lua também foi um dia visitar Deus e também recebeu uma galinha como presente. De manhã, a galinha cacarejou e acordou a Lua, mas a Lua não foi revisitar Deus; Deus então veio à Lua, e lhe disse: ‘Não comeste a galinha que te dei para o jantar. Podes então ficar com a galinha, mas deves regressar aqui em cada vinte e oito dias.’ Daí a razão porque a circulação total da Lua dura vinte e oito dias.

Um ser humano foi visitar Deus, recebendo também uma galinha como presente. Mas o ser humano estava com fome depois de tão longa caminhada, e comeu parte da galinha para o jantar. Na próxima manhã, já o Sol estava bem alto quando o ser humano acordou; comeu o resto da galinha, visitando Deus em seguida. Deus disse-lhe: ‘eu não ouvi a galinha cacarejar esta manhã.’ O ser humano, com certo receio, respondeu: ‘eu tive fome e comi-a.’ ‘Está bem,’ disse Deus, ‘mas ouve, tu sabes que o Sol e a Lua estiveram aqui e nenhum deles matou a galinha que lhes ofereci.’ Essa é a razão que nem o Sol nem a Lua morrerão um dia. Mas tu mataste a tua galinha e assim deves morrer como ela. Porém, à tua morte, deves regressar aqui outra vez.’

E assim foi.”

O credo na minha cruz é tão antigo quanto os poderes mais antigos do universo.

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4 pensamentos sobre “[Palavra Chave] Credo cruz

  1. Maravilhoso Kabral, a cruz primal, o eterno cruzando o temporal, a encruzilhada onde se encontram os Legbas e os Eshus, onde se cruza para o outro lado, onde se encontram os mundos, onde nos encontramos, consciente e inconsciente, eu e eu mesmo. 😀

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