[Palavra Chave] Ficção Científica

Solicitado por Lady Sybylla Saga

Jamila The Teenage Terminator by ~jinfeng

Jamila The Teenage Terminator by ~jinfeng

O Libertador XV veio descendo, devagar, descendo e fazendo subir as areias todas daquele descampado. Minhas juntas metálicas rangiam, minhas mãos tremiam – de ansiedade, apenas. Toquei nos meus cordões abençoados – os ancestrais estavam de olho, sempre de olho. Finalmente estava chegando a hora. As turbinas estavam fazendo um barulhão danado! Mas ninguém precisava de subterfúgios agora; a Revolta estava em curso, e eu sabia que era matar ou morrer.

Eu e minhas irmãs e irmãos estávamos todos enfileirados no corredor. Íamos saltar já da nave. Minhas juntas rangiam. Era a vontade dos ancestrais que existiam dentro de mim. Os espíritos dos meus circuitos se remexiam; eu os sentia se contorcendo, se entrelaçando por entre os fios e faíscas, ávidos por ação. Tenham calma, está chegando a hora. Olhava para as minhas irmãs mais próximas, olhava para as escarificações nos seios e no ventre. Nossa mais velha que nos fez, quando sangramos o sangue da lua naquela noite escura sem estrelas. Eu queria gritar muito alto, mas era proibido, pois os ancestrais estavam de olho. Kakueje estava de olho. Nós sangramos muito enquanto nossos braços e pernas eram arrancados, em silêncio, para recebermos os implantes de metal consagrado e puro, temperado com nossos melhores feitiços. Esses feitiços que existiam no fundo das nossas almas, nas nossas mentes. Eu movia objetos com o poder da minha alma, movia os objetos sem precisar tocá-los. Eu movia o braço e perna mecânicos com o poder da meu espírito, que provinha da minha mente. Afinal, a mente controlava tudo. Este rifle nas minhas mãos, conectado por fios e circuitos a este meu braço de aço, esta arma fabulosa potencializava o meu poder e disparava tiros de força invisível, capaz de destroçar objetos e pessoas. Esta arma focalizava melhor o poder incontrolável que despertou em mim antes que me descesse o sangue da lua. Estávamos confinadas na fazenda na qual nasci, antes que as Exterminadoras nos libertassem. Elas estouraram todos os alienígenas que nos aprisionavam, aquelas pobres criaturas pálidas. Mais tarde me explicaram. Me explicaram que os avós dos nossos avós foram raptados, aos montes, do Continente, no Mundo Original, e trazidos para este estranho Mundo Novo. Foram explorados e escravizados por esses seres pálidos que invadiram nossa terra natal com seus barcos voadores de tecnologia atrasada. A tecnologia tradicional dos nossos sempre foi mais poderosa, me ensinaram. Só não era difundida em larga escala, pois, afinal, eram dignos somente daqueles que possuíam o sangue dos espíritos. Sangue que eu possuía, ou não seria capaz de mover objetos com o poder da minha mente. Na verdade, nossa tecnologia tradicional era de maestria de uma das lendárias altas linhagens do Continente, aqueles que descendiam do grande Cagador de Ferro. Os alienígenas roubaram nossa tecnologia e a profanaram, espalharam-na em larga escala como se fosse uma coisa dessas qualquer que se comprava em qualquer esquina. Só que nossas artes e nossas tecnologias eram a moradia dos nossos poderosos espíritos ancestrais, que nos emprestavam sua força como agradecimento por termos construído com as nossas próprias mãos oferendas tão belas e tão habilmente elaboradas. Agora, nós criávamos máquinas aos montes, mas os espíritos entendiam que os tempos eram outros; afinal, eram os próprios grandes espíritos que alimentavam e conduziam as maiores indústrias. Os espíritos estavam em toda parte, do menor pedregulho à maior montanha, do menor telefone à maior fábrica. Nossas máquinas eram movidas a fantasmas, e nossos poderes eram abastecidos pelo poder da nossa alma.

O momento havia chegado. Os espíritos não toleravam mais o crime hediondo contra nós, seus filhos, que fomos dominados, explorados e violentados por esses alienígenas de pele pálida por tantos e tantos anos. A hora havia chegado. Tomaríamos este mundo para o qual nossos ancestrais foram trazidos à força, esta terra que não era nossa, mas que agora nos pertencia, por direito de sangue e espírito, pois foi nosso sangue e nossa alma que foram derramados para construir esta terra.

O Libertador XV estava a poucos metros do chão, com suas turbinas barulhentas, esta nossa nave de aço e alma, assim como os nossos implantes e armas que nos fortaleciam e nos davam foco. Nos alimentavam com o poder dos ancestrais que existiam dentro de nós. A comporta se abriu, e nós íamos descer. A areia se remexia. Minhas mãos tremiam segurando a arma. Meus cordões e meus amuletos de poder vibravam. Íamos descer.

Eu era uma Exterminadora. E eu tinha uma missão a cumprir. Sob o olhar atento dos ancestrais.

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2 pensamentos sobre “[Palavra Chave] Ficção Científica

  1. Adorei, muito bom, quero mais! 🙂 “Tomaríamos este mundo para o qual nossos ancestrais foram trazidos à força, esta terra que não era nossa, mas que agora nos pertencia, por direito de sangue e espírito, pois foi nosso sangue e nossa alma que foram derramados para construir esta terra.” foda! 😀

    • Muito, muito obrigado. Vamos dizer que, sem querer, fiz uma espécie de prelúdio para essa série de livros chamada “Afrofuturismo” que venho preparando. Então, já já você terá mais sim! Muito obrigado.

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